quarta-feira, 24 de abril de 2013

Das Valentinices

No dia 22 a escolinha da Valentina começou a trabalhar com o projeto "Faz muito tempo..." - sobre o 'descobrimento' do Brasil. Ontem ela chegou em casa falando sobre o assunto: "Sabia mamãe que vieram os portugueses? Eles vieram e daí eles mataram os índios... É muito, muito feio matar os amigos né mamãe?"

Das grandes vantagens de ter uma professora de história trabalhando na Educação Infantil. Dá uma esperança de que sejam melhores os dias que virão - que nossos pequenos cresçam assim, e se tornem adultos mais conscientes e capazes de construir um mundo melhor.

Mas, pra lembrar que no mundo dos pequenos as coisas são sempre mais interessantes, a Vale continuou: "Mas o Felipe disse que aqueles moços que estavam assim (fez um gesto apontando o indicador a frente) não eram os portugueses, ele disse que eles eram os piratas!"    =)

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Na volta da escola, Valentina me olha e diz: "Vamos cantar uma música bem alto pra nossa casa ouvir?? Mas tem que ser 5 músicas!" Veio cantando bem faceira e gritando: casinha, eu tô chegando! Casinha eu te amo, casinha! Eu me lembro daquela música que diz "O sistema é maus, mas minha turma é legal". Nenhuma criança de 03 anos deveria ter que ficar longe de casa 08, 09, 10 horas por dia. Esse cotidiano da contemporaneidade é desumano. C'est la vie, c'est la vie. Fato é que a Valentina bem que puxou a mãe: Homo Caseirus.


terça-feira, 19 de março de 2013

[L'art pour l'art]

Tem aquela frase da Lispector que eu adoro: "O inferno é o meu máximo". Pois, sempre acontecem coisas extremamente interessantes durante o meu inferno astral. É um período que tem um quê de tensão, mas também é permeado por levezas, risos fáceis, felicidade bruta em existir. A Graziele Schweig me disse que eu adoro adjetivos. Ontem teve show do Filipe Catto em Porto Alegre. E pra esse show os adjetivos são impreterívelmente os de mais fino corte [no melhor estilo 'baby suporte']

É quase inacreditável a voz, a interpretação, a composição. É um frisson, passion, tragédia, agonia, sofreguidão. Uma elegância com toques de decadência - aqueles ares démodés de blues arrastados, whiskeys, madrugadas, insônias. Pulsar de sangue nas veias, palavras que se encontram como se conhecessem desde sempre [uma fluência perfeita de poesia], um sentir profundo da existência que poucas pessoas conseguem traduzir em gestos ou canções. O que mais me choca é o ineditísmo, a atualidade, a versatilidade [que vai do samba, ao rock, ao blues, a MPB e mais], e aquele "algo mais", aquela especificidade, que não sei o que é nem de onde vem e o que define, mas que faz ter certeza de que o que presenciamos se chama "Arte". Lindo, denso, bruto e verdadeiro.

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Andei depressa para não rever meus passos
Por uma noite tão fugaz que eu nem senti
Tão lancinante, que ao olhar pra trás agora
Só me restam devaneios do que um dia eu vivi

Se eu soubesse que o amor é coisa aguda
Que tão brutal percorre início, meio e fim
Destrincha a alma, corta fundo na espinha
Inebria a garganta, fere a quem quiser ferir

Enquanto andava, maldizendo a poesia
Eu contei a história minha pr´uma noite que rompeu
Virou do avesso, e ao chegar a luz do dia
Tropecei em mais um verso sobre o que o tempo esqueceu

(Saga)


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Sem mais.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Da Religião

[Sincretismos]

Anna Blume é carnaval
Equinócios, solstícios, sabbaths

Anna Blume é Jorge, Jesus
É Buda, Ishtar

Dionísio, Apolo
Contradição

Anna Blume sabe dos Ciclos Perpétuos
Do Infinito-Circular

Anna Blume é
Namastê
Amém
Saravá

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Summertime comes again

Verão, quer dizer. Esmalte amarelo sol.

PS.: ontem foram cortadas, pela primeira vez, las puntitas dos cabelos da pequena-grande Vale.

Sunglasses & bye-bye

sábado, 5 de novembro de 2011

Do Verbo

Yo Soy
Estoy
Voy
a bailar y bailar y volver a empezar...


"Aquel espíritu de iniciativa social desapareció en poco tiempo, arrastrado por la fiebre de los imanes, cálculos astronómicos, los sueños de transmutación y las ansias de conocer las maravillas del mundo."

(Cien años de Soledad)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Da fantasia, alegoria, agonia & segurança

Se ainda pudesse completar uma frase, um pensamento um suspiro, ou uma sensação qualquer. Deixar de deixar as coisas serem assim – uma metade, amorfas, existências –prácticas pero no sentimentales. Se pudesse fazer irromper, como a rolha irrompe da garrafa de vinho: POC! Se houve um momento em que de repente: POC! Tudo fizesse sentido. Se. E se. “Nothing left to me” Mas isso não é verdade, não, nada disso. O mundo respira, o mundo tem texturas, tem sons, tem amores, tem suores, tem resmungos, lamentações, tem flores, tem beijos, torpores. O mundo tem todas as sensações que se pode imaginar. Inusitadamente, o mundo é algo que de repente se tornou tão externo – que de repente, não sentimos quase mais nada. Quase. Nada. Quase. Nada. Às vezes, sim. Às vezes vem de repente um daqueles prazeres superiormente interessantes. Um Bowie, uma Rice, um cabernet. Cadernos, recuerdos. Yo se que aún hay mistérios. Y eso me hace viva.

Viva, assim, de repente. Porque sinto. Porque não-sinto. Porque sei. Porque existo. Porque sou – ou estou. Whatever. Não é mais um sono constante. Há risadas quase histéricas, porém bastante verdadeiras. Há um amor-maior-que-o-mundo. Difícil entender-exteriorizar-expressar. Difícil até de respirar. Às vezes. “Às vezes” pode ser quase sempre, ou quase nunca. Pode ser – como tudo que tem existência, pode também não ser. Porém: tudo está? Onde? Onde se esconde? Oriental. Que me fazia pressentir um caminho em meio aos amarelos primaveris, e os verdes excêntricos da natureza em tempos de re-produção. Alimente-me. Respire-me. Coma-me&beba-me. Me oriente pela constelação do...

Cruzeiro? Do sul-norte-leste-oeste em que andaste sem me saber, jamais? Nunca, jamais. Nunca me soubeste. E eu aqui, te vejo, prevejo, imagino. Delirium est. Uma forma de aproximação estática. Uma forma de aproximação Platônica e segura. Uma forma de sonho, de satisfação e prazer. Em ti e teus braços e tuas risadas. Segurança. Oásis. Maybe I am only looking for that. Teus olhos, tuas mãos, meu oasis. Tu me guiarias se assim te pedisse? Meu cruzeiro (del sur). Me dirias sem muito pensar, ascendente, lua, Marte, Vênus y whatever more I’ll need to know? Would you dance with me?

Porque no fim, a pergunta certa é sempre esta. Você sabe tudo, ou você não imagina nada. A vida é um circo, e eu sou seu palhaço. Clown. Figura mítica. A vida é uma roda-gigante, e enquanto eu estou a subir, tu estas a descer. A vida é um moinho que vai triturar teus sonhos tão mesquinhos? Tua segurança é a certeza de uma ilha que solamente vive e jamás se perde. Todo mundo é uma ilha, mas nem todos sabem disso. Y se sabes vos? Que hago yo? Da vida sem você, dos dias sem saber. O quê?

Can you her me at all?

Não, nunca é simples, nunca é fácil. Estar aqui, sob um céu que às vezes tem estrelas, às vezes trovões – e às vezes se transmuta em um sem-cor infinito. Existem prazeres superiormente interessantes, existem sorrisos pelos quais poderíamos morrer, existem aqueles não nos sabem, e aqueles que nos imaginam. Existe uma possibilidade muda e infinita de combinações entre as partículas que unem cada segundo desse mundo. Infinitas.

A questão é: os deuses jogam dados? Ou as coisas são? Ou não?

Dos Prazeres Superiormente Interessantes

David Bowie
Anne Rice
Cabernet Sauvignon


[sobre todo hay siempre la sangre]

Tastefull.

We can be heroes, as you know.
Some kind of people from Dioniso.


sábado, 29 de outubro de 2011

Da Preguiça

Bob Dylan
(sempre no mesmo tom)
Céu nublado
(sempre na mesma tensão)
Bohemia escura
(sempre na mesma textura)

.Olhos.parados.
. Infinito.estático.
.sábado-pós-feriado.

[Às vezes a febre parece uma manifestação de tédio do corpo]