segunda-feira, 26 de maio de 2014

E se fosse inverno, e morássemos nas colinas...

Umas dessas noites de "trocando fraldas ao som do dark side of the moon", embora a Valentina já tenha (quase) 5 anos.

Quase inverno, Bob Dylan, whiskey MacGregor & ins(pirações)



quarta-feira, 12 de março de 2014

Pedra, papel tesoura... lápis e borracha!


Ontem a Valentina veio me convidar pra jogar "pedra papel tesoura.... lápis e borracha"

"Daonde lápis e borracha Vale?"
"Borracha apaga o lápis, ué!"

Tô ficando velha mesmo... E a Vale, Sheldoniana 

#Valentinices

Da Paz Violenta do Status Quo

Essa semana eu e a Vale fomos ao cinema assistir “Uma Aventura Lego”. Achei que seria apenas mais uma animação voltada para o público infanto-juvenil e adultos nostálgicos. Mais eis que na verdade o roteiro era bastante interessante, desses que rendem uma boa análise da sociedade – em especial do momento específico que se vive hoje no Brasil. Na história, o poderoso Sr. Negócios estabeleceu fronteiras entre os “mundos lego”, proibiu e perseguiu a ação dos “mestres construtores” (que realizavam a constante montagem e desmontagem das peças lego, garantindo constantes mudanças e interação entre os mundos diferentes), e estabeleceu um manual de regras, que os moradores da cidade lego seguiam, garantindo a ordem diária, tudo acontecendo sempre da mesma maneira. O objetivo final do Sr. Negócios é usar uma cola nas peças e personagens para que tudo fique no lugar “certo” para sempre. Estático. Nessa cidade onde tudo acontece em perfeita ordem, existe uma música hit com uma mensagem positiva chiclé, a qual todos escutam e ficam felizes reproduzindo sua rotina sem questionamentos. “Tudo é incríveeeell”.
Homogeneização, ordem, segregação das diferenças. O Sr. Negócios tinha horror a falta de organização, a construção de novos objetos, a qualquer coisa que saísse do lugar que ele (e todo um processo histórico) estabeleceu como certo. E é por aí que andam os caminhos da democracia da Terra Brasilis. Nós vivemos nesse lindo país tropical, abençoado por Deus (só, e somente só o da tradição judaico-cristã), bonito por natureza e: politicamente democrático. Só que não. Só que não. Porque tão logo apareçam questionamentos – levados a sério, e manifestações – que não juntam mais apenas 50 pessoas como há alguns anos atrás, o conceito de repente se perde. Nunca oficialmente, é claro, mas sim na prática. Na prática da PM, das falas da mídia tradicional, dos políticos, e da própria população que repete mantras reacionários sem nenhum discernimento e reflexão político-social que se possa chamar sério. Porque assim como o Sr. Negócios, a maioria da população não gosta de se indispor. Não gosta de quem reclama, de quem questiona, de quem luta por alguma idéia. Não gosta de ver a sua ordem ritual sagrada ser ameaçada pelo caos. Pensar é vandalismo. Agir é vandalismo. Então, é dever cívico (e democrático) conter a diferença e a mudança. Essa é a paz violenta do status quo.

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Mas a paz violenta do status quo não está presente apenas nesse cenário macroestrutural. Ela está presente no dia-a-dia, nas diversas “corriqueirices” que deixamos passar por nós – porque não dá pra gente viver se incomodando com “qualquer coisa”. Ano passado na escola da Vale não ia haver festa de Halloween – o que achei estranho, visto que todos os anos acontecia. Ok, eu não me importo de fato com o halloween. Porém, no dia seguinte veio o bilhete que seguinte aconteceria a “festa do ridículo”. Achei mais esquisito ainda. No dia 31/10, o telefone da escola infantil onde eu trabalho toca e atendo uma mãe, evangélica, reclamando sobre a festa do dia das bruxas. Foi aí que entendi. No final da tarde, cheguei à escola da Vale e perguntei: por que não vai ter a festa de halloween esse ano, mas essa festa do ridículo? A resposta: “ahhhh, é que estamos com muitos alunos evangélicos na escola, e as mães não iriam trazer as crianças, fiquei com pena dos que não iam poder participar da festa”. Argumentei que achava um absurdo uma questão religiosa interferir assim resultando no não-acontecimento de uma festa para todos os outros que não partilham dessa religião. A escola é particular, mas não é confessional. A educação nesse país não deveria ser LAICA, não? O resultado foi uma festa do ridículo do dia 01/11 com quase todas crianças vestidas de bruxas ou monstros. Mas, ok, afinal, estavam todos salvos do pecado. A festa foi um dia depois do 31, e NÃO ERA de halloween afinal. Hipocrisia, seria o nome e sobrenome. E, fique claro, essa não é uma defesa a festa de dia das bruxas. Se a resposta a minha pergunta tivesse sido: não haverá halloween porque não consideramos uma festa de nossa cultura e bláblá, não existiria problematização. A questão é dentro de uma instituição de ensino, responsável pela educação de crianças de 0 a 6 anos de idade, uma decisão ser tomada por conta de argumentos religiosos dos quais partilham apenas parte das pessoas. Afinal, é uma coisa tão boba né, só uma festa de halloween. Pra que me indispor, se a gente muda o nome e tá tudo resolvido. Recebi hoje o calendário/2014 da escola, e esse ano tcharammm: Baile do Rídiculo, dia 31/10. Ridículo mesmo é tomar uma decisão por conta de uma minoria que cada vez mais ganha espaço simbólico-cultural no país com um discurso discrimatório, preconceituoso e segregacionista. Isso representa uma deseducação. Fazer o que, se nada mais é sério mesmo. E é nesse país, que se pensa tornar num breve futuro a educação infantil obrigatória desde o berçário – é, sim, ouvi mais essa hoje. A paz violenta do status quo é foda.

#Youbetterrunforyourlifeifyoucan,littlegirl



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Artes com a Valentina



Valentina, 4 anos, e muita energia pra pintar, contar histórias - que quase sempre começam com "Era um vez..." e terminam com "e viveram felizes para sempre" - , desenhar, inventar. Muito amor, sempre! 















quarta-feira, 24 de abril de 2013

Das Valentinices

No dia 22 a escolinha da Valentina começou a trabalhar com o projeto "Faz muito tempo..." - sobre o 'descobrimento' do Brasil. Ontem ela chegou em casa falando sobre o assunto: "Sabia mamãe que vieram os portugueses? Eles vieram e daí eles mataram os índios... É muito, muito feio matar os amigos né mamãe?"

Das grandes vantagens de ter uma professora de história trabalhando na Educação Infantil. Dá uma esperança de que sejam melhores os dias que virão - que nossos pequenos cresçam assim, e se tornem adultos mais conscientes e capazes de construir um mundo melhor.

Mas, pra lembrar que no mundo dos pequenos as coisas são sempre mais interessantes, a Vale continuou: "Mas o Felipe disse que aqueles moços que estavam assim (fez um gesto apontando o indicador a frente) não eram os portugueses, ele disse que eles eram os piratas!"    =)

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Na volta da escola, Valentina me olha e diz: "Vamos cantar uma música bem alto pra nossa casa ouvir?? Mas tem que ser 5 músicas!" Veio cantando bem faceira e gritando: casinha, eu tô chegando! Casinha eu te amo, casinha! Eu me lembro daquela música que diz "O sistema é maus, mas minha turma é legal". Nenhuma criança de 03 anos deveria ter que ficar longe de casa 08, 09, 10 horas por dia. Esse cotidiano da contemporaneidade é desumano. C'est la vie, c'est la vie. Fato é que a Valentina bem que puxou a mãe: Homo Caseirus.


terça-feira, 19 de março de 2013

[L'art pour l'art]

Tem aquela frase da Lispector que eu adoro: "O inferno é o meu máximo". Pois, sempre acontecem coisas extremamente interessantes durante o meu inferno astral. É um período que tem um quê de tensão, mas também é permeado por levezas, risos fáceis, felicidade bruta em existir. A Graziele Schweig me disse que eu adoro adjetivos. Ontem teve show do Filipe Catto em Porto Alegre. E pra esse show os adjetivos são impreterívelmente os de mais fino corte [no melhor estilo 'baby suporte']

É quase inacreditável a voz, a interpretação, a composição. É um frisson, passion, tragédia, agonia, sofreguidão. Uma elegância com toques de decadência - aqueles ares démodés de blues arrastados, whiskeys, madrugadas, insônias. Pulsar de sangue nas veias, palavras que se encontram como se conhecessem desde sempre [uma fluência perfeita de poesia], um sentir profundo da existência que poucas pessoas conseguem traduzir em gestos ou canções. O que mais me choca é o ineditísmo, a atualidade, a versatilidade [que vai do samba, ao rock, ao blues, a MPB e mais], e aquele "algo mais", aquela especificidade, que não sei o que é nem de onde vem e o que define, mas que faz ter certeza de que o que presenciamos se chama "Arte". Lindo, denso, bruto e verdadeiro.

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Andei depressa para não rever meus passos
Por uma noite tão fugaz que eu nem senti
Tão lancinante, que ao olhar pra trás agora
Só me restam devaneios do que um dia eu vivi

Se eu soubesse que o amor é coisa aguda
Que tão brutal percorre início, meio e fim
Destrincha a alma, corta fundo na espinha
Inebria a garganta, fere a quem quiser ferir

Enquanto andava, maldizendo a poesia
Eu contei a história minha pr´uma noite que rompeu
Virou do avesso, e ao chegar a luz do dia
Tropecei em mais um verso sobre o que o tempo esqueceu

(Saga)


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Sem mais.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Da Religião

[Sincretismos]

Anna Blume é carnaval
Equinócios, solstícios, sabbaths

Anna Blume é Jorge, Jesus
É Buda, Ishtar

Dionísio, Apolo
Contradição

Anna Blume sabe dos Ciclos Perpétuos
Do Infinito-Circular

Anna Blume é
Namastê
Amém
Saravá

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Summertime comes again

Verão, quer dizer. Esmalte amarelo sol.

PS.: ontem foram cortadas, pela primeira vez, las puntitas dos cabelos da pequena-grande Vale.

Sunglasses & bye-bye